terça-feira, 29 de maio de 2018

[OPINIÃO] - A Trança de Inês










Título: A Trança de Inês
Autor: Rosa Lobato de Faria
Editora: Edições ASA
Edição: Abril de 2018
1ª Edição: Abril de 2001
ISBN: 9789892341873
Páginas: 192
A minha classificação: 4/5★

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SINOPSE:

Três tempos, três mundos, três destinos, um único amor. Universal e sem tempo nem medida, relembrando-nos que o amor e o ódio andam lado a lado e acontecem em todas as épocas.
Pedro é, no presente, um empresário de sucesso que se perde de amores por Inês. Mas este é um amor condenado à tragédia e à loucura. A sua história confunde-se com a de Pedro Rey, no século XXII, apaixonado também por uma Inês de entrançados cabelos loiros num futuro que os afasta por pertencerem a estratos diferentes da sociedade. 
E ainda com a lenda de D. Pedro que, no século XIV, tenta contra tudo e contra todos fazer valer o seu amor por Inês de Castro.




OPINIÃO:

Quero desde já agradecer à Elisa (A Miúda Geek) porque foi graças ao seu projecto "Leituras com Twist" que conheci este livro fantástico. Foi o primeiro livro que li da autora mas vou querer ler mais.

A Trança de Inês é narrado em três espaços temporais - passado, presente e futuro - tendo sempre por base a lenda de Pedro e Inês.
Pedro, o protagonista da história, encontra-se internado num hospital psiquiátrico e é dentro da sua mente que assistimos à passagem entre estes três tempos diferentes, uma vez que ele acredita ter vivido/viver nas três realidades.
O passado, no séc. XIV, fala sobre a grande história de amor que todos conhecemos entre D. Pedro, o Cru, e D. Inês de Castro, aia da mulher de D. Pedro, D. Constança. D. Pedro e D. Inês conhecem-se, apaixonam-se, têm filhos. Tudo acaba em desgraça quando o pai de D. Pedro manda matar D. Inês.
O presente, no séc. XX, apresenta-nos Pedro Reis que trabalha numa empresa como gestor e conhece Inês Castro, que trabalha no sector dos Recursos Humanos. As coisas não correm bem e é neste tempo que Pedro se encontra, internado num hospício.
O futuro, no séc. XXII, foi o meu tempo preferido e aquele em que a autora mais me surpreendeu. É-nos apresentado um futuro distópico onde o número de habitantes no planeta tem de ser controlado devido à sobrepopulação e, para isso, a sociedade encontra-se dividida em duas castas: a X e a Y. Os da casta X são aqueles que podem, de um modo controlado, ter filhos entre si; já os da casta Y, assim que recebem o carimbo, têm de ser esterilizados e não pode haver envolvimentos entre os indivíduos das diferentes castas. Este mundo distópico está excelente! Nunca associei Rosa Lobato de Faria a distopias mas a autora soube criar um mundo de forma fantástica em poucas páginas.

No início demorei a entrar na história e a perceber a escrita da autora porque ela não utiliza os parágrafos nem cria diálogos da forma convencional. Mesmo a passagem entre os diferentes tempos nem sempre é bem assinalada e senti-me perdida em alguns momentos, apesar de a leitura ter ficado mais fácil à medida que ia avançando.
Com excepção deste "pormenor" gostei muito da escrita da autora. Consegui visualizar o que ela nos queria mostrar, sofri com as personagens e achei uma escrita romântica, quase poética em alguns momentos. Também achei interessante a forma como a "mão da morte" viaja pelos diferentes tempos. Gostaria que o final tivesse sido mais desenvolvido porque precisava de saber mais. Queria descortinar completamente qual o futuro de Pedro.
Penso que teria sido fácil e, provavelmente, teria agradado a muitas pessoas haver um final feliz, em algum dos tempos, para Pedro e Inês mas gostei que a autora tenha deixado perdurar a lenda e que nos tenha apresentado sempre um amor trágico, pois é isso que associamos a estes dois amantes e é esse o tema central deste livro.
Vou, sem dúvida, querer ler mais de Rosa Lobato de Faria. Os livros que, neste momento, me despertam mais curiosidade são As Esquinas do TempoOs Três Casamentos de Camila S. e O Pranto de Lúcifer.


Sobre a autora:



Rosa Lobato de Faria nasceu em Lisboa em abril de 1932, tendo falecido a 2 de fevereiro de 2010, aos 77 anos. 

Poetisa e romancista, o essencial da sua poesia está reunido no volume Poemas Escolhidos e Dispersos, de 1997. O seu primeiro romance, O Pranto de Lúcifer, veio a público em 1995. Seguiram-se-lhe Os Pássaros de Seda (1996), Os Três Casamentos de Camilla S. (1997), Romance de Cordélia (1998), O Prenúncio das Águas (1999), A Trança de Inês (2001), O Sétimo Véu (2003), Os Linhos da Avó (2004), A Flor do Sal (2005), A Alma Trocada (2007), A Estrela de Gonçalo Enes (2007) e As Esquinas do Tempo (2008). 
Foi também autora de diversos livros infantis. Está traduzida em Espanha, França e Alemanha e representada em várias coletâneas de contos, em Portugal e no estrangeiro. 
Foi também conhecida do grande público como atriz de televisão e cinema.
Em 2000, obteve o Prémio Máxima de Literatura.

[OPINIÃO] - Mrs. Dalloway












Título: Mrs. Dalloway
Autor: Virginia Woolf
Editora: Clube do Autor
Edição: Agosto de 2011
ISBN: 9789898452436
Páginas: 208
A minha classificação: 3/5★

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SINOPSE:

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para a Formação de Adultos, como sugestão de leitura.

A I Guerra terminou, o Verão apodera-se de Londres e Clarissa prepara-se para dar mais uma das suas festas. Mas o aparecimento de Peter Walsh, o seu primeiro amor, vai atiçar o passado, trazendo-lhe à memória os sonhos de juventude. E de súbito, Clarissa Dalloway toma consciência da força da vida em seu redor.
A singularidade da obra vem dessa espécie de sósia de Mrs.Dalloway, que é Septimus Warren Smith, um homem prestes a enlouquecer com o trauma da guerra e com quem Clarissa parece partilhar uma mesma consciência. Septimus é contraponto de Clarissa: uma chaga aberta, a sua dor exposta ao mundo. Clarissa, por outro lado, esconde o seu silêncio, cobrindo-o com festas sociais.
Virginia Woolf expõe neste romance diferentes modos sentir, evocando, mais que o espírito do tempo, o espírito da própria vida no olhar de cada personagem.


OPINIÃO:
Apesar de ter apenas 200 páginas, este foi um livro que demorei muito tempo a ler e que me obrigou a algum esforço para conseguir acompanhar a narrativa.

Acompanhamos Clarissa Dalloway nos preparativos para uma festa que dará em sua casa, à noite. Mrs. Dalloway pertence à alta sociedade de Londres, por isso é importante que todos os detalhes estejam perfeitos para que a festa seja um sucesso.
Conhecemos também Peter Walsh, que regressa a Londres depois de alguns anos passados no estrangeiro e que traz consigo uma forte história. Peter é um velho amigo e também um velho amor de Clarissa e o reencontro leva-a a reviver o passado com uma certa melancolia e deixa-a algo perturbada.
Outra das personagens principais é Septimus Smith, que foi soldado na Primeira Guerra Mundial e sofre de stress pós-traumático. Septimus é casado e a sua mulher leva-o a um psicólogo para o tentar ajudar, uma vez que o homem pensa várias vezes em suicídio e tem alucinações com alguns dos seus camaradas que já faleceram. Dizem que há algumas semelhanças entre esta personagem e a própria Virginia Woolf, que sofria de depressão e transtorno bipolar.
Para além destas personagens vamos conhecendo outras, de forma menos profunda, como uma amiga de há muitos anos de Clarissa e Peter, o marido e a filha de Clarissa, a amiga da filha que lhe transmite uma certa irritação, entre outros.

As passagens de uma personagem para outra não são perceptíveis. Aliás, fiquei várias vezes confusa a pensar que estava a seguir o pensamento de determinada personagem e, afinal, já era outra. Isto dificultou-me bastante a leitura.
Este foi também o primeiro livro que li sob a forma de fluxo de consciência. Todo o livro é passado como se estivéssemos dentro da cabeça das personagens, a acompanhar todos os seus pensamentos. Apesar de ter achado esta técnica interessante, os pensamento demasiado profundos ou filosóficos das personagens cansaram-me e sentia que duas páginas desses pensamentos demoravam uma eternidade e ser lidas. Para além disso, não consegui criar simpatia por nenhuma das personagens.
No entanto, gostei muito de conhecer a escrita única de Virginia Woolf. É realmente diferente de tudo o que li até agora. Toda a acção se desenrola durante um dia e a forma como a autora nos embala no ritmo do dia, fazendo-nos sentir a passagem das horas através das badaladas do Big Ben, é fantástica!
Também achei muito interessante e foi, possivelmente, aquilo de que mais gostei neste livro, aceder às recordações do passado de Clarissa, Peter e da sua amiga Sally. Estas foram as páginas que me deram mesmo vontade de ler.
Tenho pena de não ter gostado mais do livro, pois tinha grandes expectativas, mas irei ler mais obras da autora.


Sobre a autora:

Virginia Woolf nasceu em Londres a 25 de janeiro de 1882, filha de Sir Leslie Stephen, escritor e historiador ilustre da Inglaterra vitoriana. Desde cedo ligada a grupos de intelectuais, casou em 1912 com Leonard Woolf e com ele fundou a editora Hogarth Press, responsável pela revelação de autores como Katherine Mansfield e T. S. Eliot e pela publicação das suas próprias obras. Reconhecida como uma das mais proeminentes figuras do modernismo britânico, destacam-se entre os seus trabalhos os romances Mrs Dalloway (1925), Orlando (1928) e As Ondas (1931), assim como o ensaio Um Quarto que Seja Seu (1929). Após sucessivas crises depressivas e não suportando o isolamento provocado pelo agravar da Segunda Guerra Mundial, suicida-se a 28 de março de 1941, em Lewes.

[OPINIÃO] - A Mulher à Janela











Título: A Mulher à Janela
Autor: A. J. Finn
Editora: Editorial Presença
Edição: Março de 2018
ISBN: 9789722361873
Páginas: 488
A minha classificação: 4/5★

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SINOPSE:
Anna Fox não sai à rua há dez meses, um longo período em que ela vagueou pelos quartos da sua velha casa em Nova Iorque como se fosse um fantasma, perdida nas suas memórias e aterrorizada só de pensar em sair à rua. A ligação de Anna ao mundo real é uma janela, junto à qual passa os dias a observar os vizinhos. Quando os Russells se mudam para a casa em frente, Anna sente-se desde logo atraída por eles - uma família perfeita de três pessoas que a fazem recordar-se da vida que já teve. Mas um dia, um grito quebra o silêncio e Anna, da sua janela, testemunha algo que ninguém deveria ter visto e terá de fazer tudo para encobrir o que presenciou . Mas mesmo que decida falar, irá alguém acreditar nela? E poderá Anna acreditar em si própria?

Um thriller eletrizante onde nada nem ninguém é o que parece.




OPINIÃO:
Este é o livro de estreia do autor e já está a ser adaptado ao cinema pela Fox. O filme será protagonizado por Amy Adams.

Anna Fox é uma antiga psicóloga infantil que, após um acontecimento que a deixa traumatizada, sofre de agorafobia (transtorno psicológico que está fortemente ligado a ataques de pânico) e não sai de casa há dez meses. Os seus dias são passados a ver filmes antigos, a beber MUITO e a espiar os vizinhos. Ela tem uma máquina fotográfica que utiliza para espreitar para as casas dos vizinhos e até para tirar algumas fotos.
As únicas pessoas com quem contacta são o marido e a filha, através de chamadas telefónicas visto que eles se separaram, o seu psicólogo e uma amiga fisioterapeuta que vão até sua casa, o inquilino que mora na sua cave alugada e o professor de francês através da Internet. É também através da Internet que Anna dá consultas online a pessoas que se encontram na mesma condição que ela.
Certo dia, uma nova família - os Russell - muda-se para a casa em frente de Anna e torna-se na sua nova obsessão. Ela chega a conhecer a mulher e o filho do casal e a sua vida muda quando testemunha um crime. Mas quem é que vai acreditar numa mulher que sofre de um transtorno psicológico e que passa os dias bêbeda? E será que Anna presenciou mesmo um crime ou tudo não passou de uma alucinação causada pelo álcool?

Ao lermos este livro é inevitável lembrarmo-nos da Rachel, a personagem de A Rapariga no Comboio, pois há algumas semelhanças entre ambas as mulheres, nomeadamente o facto de serem personagens pouco confiáveis. Isto é algo de que gosto neste género de livros pois, a meu ver, torna a dúvida sobre aquilo que se passou ainda maior. E, para mim, este livro não foi nada previsível! Todas as personagens se comportam de forma suspeita, desconfiei de todos e penso que a parte do thriller, propriamente dito, está muito bem construída.
O final conseguiu surpreender-me e penso que a maioria das coisas fez sentido. Não sei se algumas partes não foram um bocado forçadas... O ponto alto da leitura foi quando percebi o que é que realmente aconteceu no acidente que deixou a Anna presa na sua própria casa.

No entanto, esta foi uma leitura muito cansativa para mim. Durante as primeiras 150/200 páginas não acontece nada. NA-DA! Assistimos à vida de uma mulher transtornada, que não toma devidamente a sua medicação, que se enfrasca em álcool e que suja quase todos os dias a casa com vinho.
A parte do cinema pode ser interessante para as pessoas que conhecem os filmes mencionados mas, para mim, que só conhecia o Vertigo, foi mais uma grande seca e algo confuso devido à tentativa do autor de cruzar os diálogos dos filmes com a vida real. Se o livro tivesse menos páginas, se o autor tivesse tirado toda a "palha", teria sido uma óptima leitura. Assim, digo que é um bom thriller mas um pouco aborrecido, apesar da escrita muito fluida do autor.

Podem comprar o livro aqui: A Mulher à Janela


Sobre o autor:


A. J. Finn é o pseudónimo de Daniel Mallory. Possui uma licenciatura pela Universidade de Oxford e tem colaborado como crítico literário em publicações como o Los Angeles Times, The Washington Post e The Times Literary Suplemment. Natural de Nova Iorque onde reside atualmente, viveu em Londres durante dez anos. O seu livro de estreia, A Mulher à Janela, foi já vendido para 38 países e está a ser adaptado ao cinema pela Fox.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

[OPINIÃO] - A Criança Roubada

Título: A Criança Roubada
Autor: Keith Donohue
Editora: Saída de Emergência
Edição: Maio de 2008
1.ª Edição: 2006
ISBN: 9789896377793
Páginas: 288
A minha classificação: 3,5/5★

SINOPSE:
Numa noite de Verão, Henry Day foge de casa e esconde-se no interior de uma árvore oca. É então que é encontrado pelos trasgos, uma tribo de crianças que não envelhecem e que existem na escuridão e em segredo. É levado por eles e baptizado de Aniday. Para sempre uma criança, Aniday cresce em espírito, esforçando-se por recordar a vida e a família que deixou para trás. Também tenta compreender e adaptar-se à terra das sombras, enquanto a vida moderna chega não só à natureza mas também ao mito. No seu lugar, os trasgos deixam um sósia, um rapaz que rouba a vida de Henry no mundo. Este novo Henry Day tem de se ajustar a uma cultura moderna enquanto esconde a sua verdadeira identidade da restante família Day. Mas não consegue esconder o seu extraordinário talento para o piano (um dom que o verdadeiro Henry nunca possuíra) e as suas maravilhosas exibições deixam o pai desconfiado de que o filho que criou é um impostor. Enquanto envelhece, o novo Henry Day é assombrado por vagas mas persistentes memórias de uma vida noutro tempo e local, de um professor alemão de piano e do seu aluno prodígio. A Criança Roubada é uma história clássica sobre a infância que é deixada para trás em busca de uma identidade. Com a mistura perfeita de realismo e fantasia, Keith Donohue criou uma história de embalar para adultos e uma fábula literária de grande profundidade.

OPINIÃO:
Este livro já estava na minha estante há muitos anos à espera de ser lido. Pela sinopse, sempre pensei que fosse um livro juvenil, tanto por ter como personagens principais as crianças, como pelo uso da fantasia, género pelo qual não me interessava muito. No entanto, nos últimos tempos tenho gostado cada vez mais de ler livros de fantasia e resolvi pegar neste. Engane-se quem pensa que este é um livro para crianças...

O livro inicia-se com o rapto de uma criança de sete anos, Henry Day, por um grupo de trasgos. Estes são seres sobrenaturais que vivem nos bosques e que vivem eternamente em corpo de crianças. No lugar de Henry deixam um trasgo, que se transforma de modo a ficar idêntico ao menino raptado para que ninguém desconfie da troca. Contudo, este novo Henry possui um talento para o piano que o antigo não tinha, o que deixa o pai algo desconfiado. Já o verdadeiro Henry, que foi apelidado de Aniday, tem de se habituar a uma nova vida nos bosques, a viver em tocas com os outros trasgos e é impedido de voltar para a sua família. A narrativa é contada a duas vozes, ora pelo Henry, ora pelo antigo trasgo, e aos poucos assistimos ao cruzamento cada vez mais iminente das suas vidas. A história segue o crescimento destas duas personagens à medida que amadurecem, exploram as suas emoções e se descobrem a si mesmas. 



O tema principal do livro é mesmo a autodescoberta. Henry Day, agora Aniday, começa a esquecer-se do seu verdadeiro nome, de quem era e como era a sua vida antes do rapto. Já o "substituto" vive com medo de ser descoberto e tenta adaptar-se à nova realidade e às pessoas que o rodeiam. Ambos se sentem permanentemente insatisfeitos, como se faltasse algo nas suas vidas, e são várias as reflexões que ambas as personagens fazem. Este é, para mim, o factor menos positivo do livro pois quebra toda a aura mística e fantástica transmitida pelo autor, e acabou por me cansar em alguns momentos. O ritmo da história é bastante lento, possivelmente uma forma criada por Donohue para indicar a passagem do tempo.

Esta leitura foi uma boa surpresa pois não esperava encontrar algo tão intenso. Penso que é um livro indicado para os amantes de fantasia, de lendas e de mitos.

[OPINIÃO] - Canção de Embalar de Auschwitz

Título: Canção de Embalar de Auschwitz
Autor: Mario Escobar
Editora: Harper Collins
Edição: Janeiro de 2016
ISBN: 9788416502691
Páginas: 240
A minha classificação: 5/5★

SINOPSE:
Sobre a lama negra de Auschwitz que tudo devora, Helene Hanneman levantou uma creche no Campo Cigano. Nesse lugar, onde a felicidade é proibida, a jovem mãe ajuda a sobreviver a pouco mais de uma centena de crianças e, a pesar do horror do campo de extermínio, Helene não desiste, nunca perde a vontade de viver nem de ajudar e ensina-nos uma lição maravilhosa sobre a coragem. Um romance emocionante baseado em factos reais, que resgata do esquecimento uma das mais comoventes histórias de heroísmo de uma mãe alemã no meio do terror nazista. Inspirado numa história real, Canção de embalar de Auschwitz é uma homenagem à bondade, à coragem e à generosidade das pessoas comuns. 
Um relato comovente em que se entrelaçam a vida de prisioneiros ciganos, judeus e alemães, que lutam por sobreviver no inferno do maior campo de extermínio da História.

OPINIÃO:
Tinha vontade de ler este livro desde o momento em que comecei a interessar-me pelo tema. É verdade que todos os livros sobre o Holocausto que li até agora me tocaram, de certa forma, mas este tornou-se num dos meus preferidos. A força de Helene é enorme e a forma como conseguiu levar um pouco de alegria até aquele inferno é incrível. Este é um livro de ficção inspirado em pessoas e em factos reais.

Helene Hanneman era uma mulher alemã, que tinha uma vida feliz com o seu marido cigano e os cinco filhos. Tudo mudou quando os alemães bateram à sua porta para levarem a sua família. Por ser ariana, Helene não tinha de os acompanhar, mas ela recusou desde o primeiro momento deixar os seus filhos e o marido. Foram transportados nos vagões de gado e levados para Auschwitz II - Birkenau, onde o casal foi separado e Helene passou momentos bastante difíceis com os seus filhos.
É então que o doutor Mengele entra na vida desta mulher e sugere que ela abra uma creche dentro do campo. É assim que Helene consegue melhorar as condições de vida dela e dos seus filhos e trazer algum conforto às crianças do campo, dando-lhes comida, melhores condições e alguns "luxos", como lápis de cor, filmes e livros. Por momentos, estas crianças podiam sentir-se amadas, confortáveis e esquecer-se daquilo que se passava fora da creche. Mas claro que a criação da creche não foi em vão e Mengele tinha planos para muitas das crianças que frequentavam aquele espaço...

Este livro conseguiu arrepiar-me e levar-me às lágrimas. Este já é um tema bastante forte mas, para mim, torna-se ainda mais pesado por ter como foco principal as crianças. Foi também o primeiro livro que li que focou mais as experiências de Mengele, aquele que foi considerado "o anjo da morte", e esse foi o aspecto que mais me chocou. Como é que é possível alguém ser tão pouco humano, como é que é possível ter existido um monstro destes?



Normalmente, quando penso em campos de concentração, penso sempre nos judeus. Gostei bastante deste livro porque nos dá uma outra perspectiva. Lembra-nos de que os ciganos também foram perseguidos, também foram vítimas deste horror e muitos deles morreram às mãos dos SS. Aliás, estima-se que apenas 3000 dos 22 000 ciganos que chegaram a Birkenau tenham sobrevivido. Para além disso, este foi um livro que li de um fôlego. A escrita de Escobar é muito simples, mas carregada de sentimento.

No entanto, aquilo que mais emocionou nesta leitura foi mesmo a luta desta mãe pelos seus filhos, a luta desta mulher pelo bem-estar das crianças do campo. Não deixo de ficar admirada pela crueldade de que o ser humano é capaz, pelo inferno que foi este período da História, mas também não deixo de me surpreender pelos heróis e heroínas que se encontram, pela garra que alguns dos prisioneiros tinham. E se há algo que este livro nos mostra é a força destas pessoas, o poder da união e a ínfima esperança que custava a morrer.

Este é um livro que não deve deixar de ser lido...


segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

[OPINIÃO] - O Diário de Anne Frank - Diário Gráfico

Título: O Diário de Anne Frank - Diário Gráfico
Autor: Ari Folman
Ilustrador: David Polonsky
Editora: Porto Editora
Edição: Setembro de 2017
ISBN: 978-972-0-04044-2 
Páginas: 160
A minha classificação: 5/5★

SINOPSE:
Escrito entre 12 de junho de 1942 e 1 de agosto de 1944, O Diário de Anne Frank foi publicado pela primeira vez em 1947, por iniciativa de seu pai, revelando ao mundo o dia a dia de dois longos anos de uma adolescente forçada a esconder-se, juntamente com a sua família e um grupo de outros judeus, durante a ocupação nazi da cidade de Amesterdão.
Todos os que se encontravam naquele pequeno anexo secreto acabaram por ser presos em agosto de 1944, e em março de 1945 Anne Frank morreu no campo de concentração de Bergen-Belsen, a escassos dois meses do final da guerra na Europa. O seu diário tornar-se-ia um dos livros de não ficção mais lidos em todo o mundo, testemunho incomparável do terror da guerra e do fulgor do espírito humano.


OPINIÃO:
Li O Diário de Anne Frank quando tinha 12 anos. Foi o primeiro contacto que tive com o Holocausto e lembro-me que a história daquela menina, praticamente da mesma idade que eu, me chocou imenso. Sete décadas após o lançamento de um dos livros mais conhecidos, a Porto Editora lançou esta edição em formato Banda Desenhada e eu fiquei logo com vontade de voltar a encontrar-me com Anne Frank.

Penso que Folman e Polonsky conseguiram transmitir muito bem as ideias e a personalidade da jovem, bem como a vida que aquelas oito pessoas tinham no anexo. É claro que não está tão explícito nem é tão forte como a edição original, mas é preciso ter em conta que este é um livro para jovens e que, por essa razão, os autores tiveram o cuidado de escolher bem as palavras e acompanhá-las com ilustrações chamativas e, por vezes, um pouco bizarras e cómicas.


No entanto, há momentos que merecem ser lidos com atenção e sensibilidade pela enorme carga emocional que transmitem. Não nos esqueçamos que esta é a história de uma jovem de 13 anos que se vê obrigado a viver num espaço pequeno, com quatro estranhos, durante dois anos. Já é difícil ser adolescente, ser comparada à irmã perfeita, andar em "pé-de-guerra" com a mãe e ver as modificações que o seu corpo e a sua mente sofrem. É ainda mais complicado quando se é obrigado a conviver com pessoas que não conhecíamos e que opinam sobre a nossa vida como se tivessem esse direito, pessoas com personalidades tão distintas da nossa. E viver tudo isto com o medo de se poder ser descoberto e morto a qualquer momento é algo insuportável.


Os autores conseguem transmitir a preocupação que havia com a escassez de comida, as discussões existentes no anexo, o terror que vinha com o barulho das bombas e as variações de humor de Anne Frank, bem como a sua paixão por Peter. A grande imaginação e o sentido de humor da jovem também não foram esquecidos e há momentos bastante cómicos e caricatos dos habitantes do anexo. A arte de Polonsky é incrível e é, sem dúvida, um factor que enriquece bastante esta obra.
Dei por mim a envolver-me novamente na história, como se não a conhecesse, e a admirar-me com a maturidade de Anne. O modo como transmite os seus sonhos e sentimentos são de uma enorme profundidade, nada característica em jovens desta idade. Já em relação à sua personalidade, encontramos as atitudes e as ideias próprias de uma adolescente.

Folman e Polonsky procuraram manter-se fiéis ao diário de Anne Frank, mas inovaram nas palavras para procurar uma maior aceitação por parte do público mais jovem. Esta é, no entanto, uma interpretação muito respeitadora e que encontrou a aprovação da família de Anne para poder ser publicada.
É um livro que merece, sem dúvida, ser lido por jovens e adultos.


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

[OPINIÃO] - Noite

Título: Noite
Autor: Elie Wiesel
Editora: Texto Editores
Edição: Junho de 2012
ISBN: 9789724745244
Páginas: 136
A minha classificação: 5/5★

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para apoio a projetos relacionados com a História Universal no Ensino Secundário.


SINOPSE
Nascido no seio de uma família judia na Roménia, Elie Wiesel era adolescente quando, juntamente com a família, foi empurrado para um vagão de carga e transportado, primeiro para o campo de extermínio, Auschwitz, e, depois, para Buchenwald. Este é o aterrador e íntimo relato do autor sobre os horrores que passou, a morte dos pais e da irmã de apenas oito anos, e da perda da inocência a mãos bárbaras. Descrevendo com grande eloquência o assassínio de um povo, do ponto de vista de um sobrevivente, Noite faz parte dos mais pessoais e comovedores relatos sobre o Holocausto, e oferece uma perspectiva rara ao lado mais negro da natureza humana.

OPINIÃO
Comecei a interessar-me por livros sobre a Segunda Guerra Mundial no ano passado, graças à Dora e à Sara. Antes disso só tinha lido O Diário de Anne Frank e, até hoje, considero que ainda li muito pouco sobre o assunto. Este é um tema que nunca se esgota; há sempre heróis para serem descobertos, horrores para serem relatados e vidas para serem choradas.
Imagino que seja difícil relatar tudo o que aconteceu, pois todas as palavras devem parecer insuficientes, mas Elie Wiesel (Prémio Nobel da Paz em 1986) conseguiu expressar toda a barbaridade a que assistiu e de que foi vítima em poucas páginas. É incrível como um livro tão curto nos consegue transmitir tanto.

Confesso que, ao início, a leitura não me estava a cativar tanto como queria. Penso que o principal motivo foi a questão religiosa, muito presente ao longo de todo o livro. No entanto, com o desenrolar da narrativa, percebemos que este é realmente um aspecto fulcral na vida do autor e achei incrível a forma como a perda da fé vai sendo relatada. Esse foi um dos pontos que tornou este livro diferente de todos os outros que já li sobre o tema.
Aquilo que, a meu ver, mais diferencia este livro em relação a outros é o facto de se encontrar escrito na primeira pessoa, não havendo qualquer tipo de ficção, mas sim um testemunho real, duro e implacável, de quem viveu aquele enorme pesadelo. É impressionante a forma como o autor nos fala sobre a morte, a miséria e o medo de uma forma tão poética. Ao longo do livro senti-me como se estivesse a ser embalada nas palavras de Wiesel mas, em vez de me acalmar, senti-me cada vez mais agitada e desgostosa.


Esta leitura foi mesmo um crescendo de emoções. Em grande parte, o que contribuiu para isso, foi o relato da relação do autor com o seu pai, o seu grande companheiro durante o tempo em cativeiro. A companhia um do outro foi o que lhes deu forças para continuarem e a preocupação que tinham um com o outro era enternecedora. É horrível percebermos que, apesar de todo o amor que Wiesel sentia pelo pai, houve momentos em que os campos de concentração quase lhe tiraram a humanidade. E foi mesmo esta relação entre pai e filho que mais me comoveu ao longo de todo o livro e também aquilo que me deixou com um grande nó no estômago.
É um livro incrível, que não deve deixar de ser lido.


Nota: Este é o primeiro livro de uma trilogia. Os outros dois livros são Amanhecer e Dia.

[OPINIÃO] - A Educação de Eleanor

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Título: A Educação de Eleanor
Autor: Gail Honeyman
Editora: Porto Editora
Edição: Abril de 2017
ISBN: 978-972-0-04898-1
Páginas: 328
A minha classificação: 5/5★

SINOPSE
Eleanor Oliphant tem uma vida perfeitamente normal - ou assim quer acreditar. É uma mulher algo excêntrica e pouco dotada na arte da interação social, cuja vida solitária gira à volta de trabalho, vodca, refeições pré-cozinhadas e conversas telefónicas semanais com a mãe.
Porém, a rotina que tanto preza fica virada do avesso quando conhece Raymond - o técnico de informática do escritório onde trabalha, um homem trapalhão e com uma grande falta de maneiras - e ambos socorrem Sammy, um senhor de idade que perdeu os sentidos no meio da rua.
A amizade entre os três acaba por trazer mais pessoas à vida de Eleanor e alargar os seus horizontes. E, com a ajuda de Raymond, ela começa a enfrentar a verdade que manteve escondida de si própria, sobre a sua vida e o seu passado, num processo penoso mas que lhe permitirá por fim abrir o coração.


OPINIÃO
Assim que vi este livro fiquei com vontade de o ler, por várias razões. Primeiro, a capa captou logo a minha atenção pela sua beleza, depois porque fiquei intrigada ao ler a sinopse e, por fim, pelas inúmeras opiniões positivas que li e ouvi nas diversas redes sociais. Tinha quase a certeza de que ia ser uma boa leitura e não me enganei. Assim que comecei a ler, não consegui parar.
Eleanor tem 29 anos, vive sozinha e tem um trabalho estável. Ao que tudo indica tem uma vida perfeitamente normal e sente-se bem com o seu quotidiano (aliás, o título original do livro é Eleanor Oliphant is Completely Fine). Mas não é bem assim... A protagonista deste livro ora é invisível ora é motivo de riso no local onde trabalha, não tem amigos, os seus fins-de-semana são passados na companhia de vodka e o seu passado foi tudo menos fácil.
A autora dá-nos a conhecer o dia-a-dia da protagonista, desde a ida à depilação, passando pela encomenda de uma pizza e a ida a uma loja de informática. São estes momentos, de interacção aparentemente simples entre pessoas, que nos permitem perceber a dificuldade de socialização de Eleanor. Ela diz tudo o que pensa, não se preocupa com a opinião dos outros em relação a si e vive num mundo completamente à parte, o que dificulta ainda mais a sua integração na sociedade. Foram momentos que, ao início, fizeram com que soltasse umas valentes gargalhadas, mas à medida que fui conhecendo melhor a personagem enchi-me de compaixão por ela. O equilíbrio existente entre os momentos cómicos e dramáticos foi um dos pontos mais positivos neste livro.
Um certo dia a vida de Eleanor sofre uma reviravolta quando, juntamente com um colega de trabalho, se vê na obrigação de ajudar um idoso na rua. A partir deste momento Eleanor não volta a estar sozinha e, com a devida ajuda, regressa ao seu passado para combater os fantasmas que a assombram. Afinal, qual terá sido a educação de Eleanor?

"Senti o calor onde a mão dele estivera; fora apenas um momento, mas deixara uma impressão quente, quase como se fosse visível. Pensei que a mão humana tinha exatamente o peso e a temperatura certa para tocar noutra pessoa. Já dera muitos apertos de mão ao longo dos anos - e em particular nos últimos tempos -, mas há uma vida que ninguém me tocava." (pág. 171)

Foi uma leitura maravilhosa, que me deu momentos de puro divertimento mas também me deixou de coração apertado. É impossível ficarmos indiferentes a Eleanor Oliphant e à sua história. Desengane-se quem pensa que este é um romance fofinho ou uma leitura leve porque é muito mais que isso. É um livro sobre solidão, inadaptação, resiliência, perdão e a descoberta da amizade. E se à primeira vista a protagonista parece uma mulher tonta e irritante, garanto-vos que vão mudar de opinião e ver a força que ela tem.
Este é um livro que vou querer reler e recomendo muito a sua leitura.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Wrap-up #MLOutonoInverno2017

                              

Olá livrólicos!
A Maratona Literária Outono-Inverno 2017 chegou ao fim no passado dia 15. Andei a adiar este post porque queria gravar um vídeo para o meu canal do booktube (algo de que tenho muitas saudades). Infelizmente, neste momento não tenho condições para gravar e editar os vídeos, pelo que as notícias que terão de mim serão pelo blog e pelo Instagram, pelo menos nos próximos tempos.

Falando da maratona... Esta é a terceira maratona organizada pela Roberta e pela Vera em que participo. Adoro os desafios que criam, gosto muito da interacção que existe entre as pessoas que estão a participar e gosto particularmente do tempo que temos para ler os livros. Estas maratonas de longa duração funcionam muito melhor para mim.
Nesta maratona consegui cumprir 15 desafios e li um total de 5563 páginas, por isso fiquei satisfeita com o meu desempenho 😊

Deixo-vos com o meu wrap-up:

Desafios gerais
1) Ler um livro que te faça, por algum motivo, lembrar a escola - Carry On (397 págs)
2) Ler um livro cuja capa tenha tons escuros - Noite (133 págs)
3) Ler um livro de contos - O Fantasma de Canterville e Outros Contos (95 págs)



4) Pedir a alguém para escolher um livro para leres - A Criança Roubada (147 págs) incompleto
5) Ler um livro que tenha uma adaptação cinematográfica (ou que vai ser adaptado para o cinema). Se possível vê o filme a seguir - A 5ª Vaga (396 págs e filme visto 😄)
6) Ler um livro que queiras acabar antes de 2017 terminar - This One Summer (319 págs)
7) Ler um livro que tenhas há mais de um ano na estante ou ler o último livro que compraste
8) Ler uma Graphic Novel, Banda Desenhada, Mangá - Blankets (582 págs)



9) Ler um livro escrito por alguém que admires - Perigo Irresistível (335 págs)
10) Ler um livro de não-ficção - O Diário de Anne Frank (BD)


5 desafios relacionados com o Halloween
1) Ler um livro de horror/terror - A Caixa em Forma de Coração (324 págs)
2) Ler um policial
3) Ler um livro cujo tamanho te assuste
4) Ler um livro cujo título esteja escrito a vermelho - The Shining (619 págs)
5) Ler um livro cujo nome do autor seja difícil de pronunciar


5 desafios relacionados com o Natal
1) O Natal é uma época bonita, onde o conforto é procurado especialmente devido ao frio que se sente lá fora. Lê um livro que achas que te possa trazer conforto. - Uma Melodia Inesperada (478 págs)
2) Ler um livro que te ofereceram num Natal ou que gostarias que te tivessem oferecido - Confia em Mim (752 págs)
3) Ler um livro que te faça lembrar a família - Mulherzinhas (285 págs)
4) Ler um livro com a cor branca na capa - Dezanove Minutos (532 págs)
5) Ler um livro com menos de 100 páginas


 

5 desafios extra Instagram/Facebook
1) Escrever a opinião de um dos livros que leste na maratona.
2) Desafio extra para o Halloween - Sair vestido como uma personagem de um livro que já leram. Tirar foto e postar.
3) Desafio extra para o Natal - Colocar o livro que andam a ler na árvore de Natal, como se fosse uma bola decorativa.
4) Falar da maratona e de um livro a alguém e tirar foto com essa pessoa.
5) Tirar uma foto de pijama/robe com o livro que estão a ler (+10 págs)



Fico à espera de uma próxima maratona 😁

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