quarta-feira, 1 de março de 2017

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[OPINIÃO] - Os Livros Que Devoraram o Meu Pai


Título: Os Livros Que Devoraram o Meu Pai
Autor: Afonso Cruz
Editora: Editorial Caminho
Edição: Fevereiro de 2010
Páginas: 128
A minha classificação: 4/5★

Prémio Literário Maria Rosa Colaço 2009

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o 3º ciclo, destinado a leitura autónoma. Também recomendado para a Formação de Adultos, como sugestão de leitura.







Sinopse:
Vivaldo Bonfim é um escriturário entediado que leva romances e novelas para a repartição de finanças onde está empregado. Um dia, enquanto finge trabalhar, perde-se na leitura e desaparece deste mundo. Esta é a sua verdadeira história — contada na primeira pessoa pelo filho, Elias Bonfim, que irá à procura do seu pai, percorrendo clássicos da literatura cheios de assassinos, paixões devastadoras, feras e outros perigos feitos de letras.

Opinião:
Depois de ter lido Para Onde Vão os Guarda-Chuvas, confesso que esta pequena história me desiludiu um pouco. Apesar de adorar e venerar a escrita do autor (meu Deus, como é que é possível alguém escrever assim??) senti que faltava algo à história. No entanto, não deixa de ser um bom livro.

Este é um livro curto, que se lê rapidamente, mas que nos deixa uma grande mensagem.
Fala-nos de Vivaldo Bonfim, um homem que tinha uma paixão por livros e até os levava para o seu emprego, nas Finanças. Certo dia, o homem acaba por entrar num livro - A Ilha do Dr. Moreau, de H. G. Wells - e fica literalmente perdido no mundo das histórias.
Ao completar 12 anos, Elias fica a saber o que aconteceu ao seu pai e parte numa busca frenética para o encontrar, começando pela biblioteca do seu pai, no sótão da casa da avó.

Esta história fala-nos da paixão pelos livros e do poder que estes têm sobre os leitores. Afonso Cruz conseguiu levar-me de volta à minha infância, quando passava o tempo noutros mundos e a conversar com as minhas personagens preferidas em vez de amigos imaginários. Continuo a fazê-lo, mas de forma mais discreta. 😂  Para mim esse é o verdadeiro sentido da leitura: toda a magia envolvente e a relação criada entre o leitor e os espaços/personagens. Se procuram um livro que vos fale sobre isso, este é um dos mais adequados.

"O meu pai só pensava em livros (livros e mais livros!), mas a vida não era da mesma opinião, a vida dele pensava noutras coisas, andava distraída, e ele teve de se empregar. A vida, muitas vezes, não tem consideração nenhuma por aquilo que gostamos."

É também um livro que nos fala sobre os primeiros amores, desilusões, saudade, a procura de respostas, o amor, o cuidado das avós, amizade e crueldade própria da infância/adolescência. Este é um livro juvenil, que faz parte do Plano Nacional de Leitura para o 7.º ano, mas penso que é preciso ter uma certa maturidade para o compreender e para o apreciar.
As personagens com que Elias, a personagem principal, se vai cruzando são de livros reais e isso deu-me mais vontade de os ler. São mencionados livros como Crime e Castigo e Fahrenheit 451.

Por fim, não posso deixar de mencionar mais uma vez a qualidade da escrita de Afonso Cruz. O autor escreve de uma forma mágica e linda. Pode parecer estranho qualificar a escrita de um livro como sendo lindo, mas é mesmo isso que sinto. Penso que a forma como Afonso Cruz combina as palavras é brilhante e de uma beleza única, chegando mesmo a fazer-me arrepiar uns pelinhos dos braços.

"Para uns, a raiz é a parte invisível que permite a árvore crescer. Para mim, a raiz é a parte invisível que a impede de voar como os pássaros. Na verdade, uma árvore é um pássaro falhado."

Um livro que merece ser lido, não só pelos que já têm uma paixão por livros mas também por aqueles que (pensam que) não gostam.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

[OPINIÃO] - Ratos e Homens





Título: Ratos e Homens
Autor: John Steinbeck
Editora: Edições Livros do Brasil
Edição: 1988
1.ª edição: 1937
Páginas: 99
A minha classificação: 5/5⭐











Sinopse:
"Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.

Publicado em 1937, Ratos e Homens conta a história de dois pobres diabos, George e Lennie, que vivem de trabalhos episódicos e sonham com uma vida tranquila, com a hipótese de arranjar uma quinta em que possam dedicar-se à criação de coelhos. George é quem lidera, é aquele que toma as decisões e protege o seu amigo, sem no entanto deixar de depender da amizade e da força de Lennie. Este é um gigante simpático, dotado de um físico excepcional, mas mentalmente retardado. E ambos acabam por envolver-se em mil e uma complicações, quando, no rancho onde finalmente encontram trabalho, a mulher do patrão entra em cena... Adaptado ao teatro, e várias vezes ao cinema, Ratos e Homens, que na verdade constitui uma fábula sobre a amizade e o sonho americano, é uma obra-prima da literatura realista, e um dos mais importantes romances de John Steinbeck."



A ação desta história passa-se durante a Grande Depressão dos anos 30, na América. Conhecemos George e Lennie que procuram trabalho de quinta em quinta, permanecendo o tempo que podem. George é um homem inteligente e um sonhador com os pés assentes na terra. Já Lennie é um tipo alto e forte, capaz de carregar pesados fardos de feno, mas com um atraso no desenvolvimento ou, como George diz, "falta de inteligência". Os dois andam sempre juntos, pois George procura cuidar do amigo, apesar de por vezes se fartar das asneiras não intencionadas do colega. Para além disso, Lennie tem dificuldade em lembrar-se do que lhe é dito e não é capaz de detetar o perigo nem tem noção da sua força. Esta é a razão pela qual, no início do livro, os dois homens se encontram a caminho de outra quinta.

Li este livro para a maratona Carnaval-a-Thon e, se não fosse pela maratona, provavelmente nunca teria lido esta obra maravilhosa. Este é um livro bastante pequeno, mas com uma mensagem enorme e muito, muito poderosa. Foi uma leitura que me tirou o fôlego, pela história em si e pela escrita do autor. Steinbeck não escreve com floreados nem com grandes eufemismos. A escrita do autor é simples, realista e chega por vezes a ser mesmo dura. O autor utiliza também expressões próprias dos camponeses, o que fez com que me sentisse ainda mais dentro da ação. Só pela escrita do autor, o livro já merece ser lido.




Quanto à história, Steinbeck retrata uma forte amizade e lealdade entre as duas personagens principais. O modo como George cuidava de Lennie, mesmo quando este fazia asneiras, foi algo que me enterneceu e me deixou de lágrimas nos olhos. Lennie é uma criança em tamanho grande e, como tal, só quer ser protegido e amado, coisa que George faz da melhor forma que sabe.

Os momentos em que o meu coração mais se agitou com esta história foram aqueles em que Lennie pedia a George que lhe contasse como ia ser o futuro dos dois. Sim, porque estes homens tinham um sonho, o sonho de terem o seu próprio espaço onde viver e trabalhar e com coelhos para que Lennie pudesse cuidar deles. Esta esperança foi algo que marcou esta leitura e que me emocionou bastante.
À medida que lia o desenrolar da história temia que que algo acontecesse a estas personagens, pelas quais me apaixonei instantaneamente. Torci por elas, quis sempre que lhes acontecesse o melhor, sofri por elas. Nos dias de hoje ainda é difícil viver com algum tipo de transtorno psicológico ou cuidar de alguém com esse problema, mas nos anos 30 era muito mais difícil porque não existia praticamente nenhuma informação e essas pessoas eram vistas como anormais, como menos humanas e como bobos da corte que podiam ser maltratados.
Sofri com cada injustiça de que Lennie foi vítima e revoltei-me com aqueles que o faziam sentir-se inferior. E isto aconteceu porque Steinbeck criou personagens tão reais, com falas e com ideias tão próprias dos seres humanos (dos verdadeiros seres humanos) e com características tão deslumbrantes que me fez sentir protetora em relação a elas, como se realmente as conhecesse.

E o final... O final deixou-me sem palavras e de coração apertado. E fez-me pensar: "Conseguiria eu sofrer para salvar alguém que amo de sofrer?". Ainda estou a digerir esta leitura, a refletir sobre tudo o que me transmitiu e o Lennie ainda continua presente no meu pensamento (e penso que ainda lá irá permanecer por muito tempo).

É um livro que nos fala de amizade, de sonhos, de injustiça e de compaixão. Um livro que me deixou deslumbrada e rendida a Steinbeck.


O regresso?

Olá!

Ao longo dos últimos dias tenho andado a pensar em voltar ao blog. Primeiro porque nem sempre tenho disponibilidade para gravar os vídeos para o Youtube e depois porque gosto bastante de procurar informações e opiniões em blogs. Por isso, talvez esteja de volta mas não sei com que frequência vou conseguir postar nem sei ao certo qual será o conteúdo dos meus posts. Penso que vou falar do que me apetecer no momento, desde opiniões a novidades literárias e também algumas tags. Sempre que possível irei continuar a publicar vídeos no Youtube porque é um mundo que adoro!
Basicamente, quero estar o mais possível dentro do universo dos livros :)

Este mês foi bastante produtivo. Consegui ler 6 livros e quase de certeza que termino hoje o sétimo. Para além disso, avancei na leitura de Nossa Senhora de Paris, livro que estou a ler em conjunto com a Mafalda (Blog da Mafalda).



Participei em duas maratonas espetaculares: Reading About Reality e Carnaval-a-Thon.

A primeira, #readingareality foi organizada pela Sara Cristina (Canal da Sara) e pela Alexandra (Canal da Alexandra)e tinha como objetivo lermos sobre os problemas que afetam o nosso mundo. De seguida mostro-vos quais eram as categorias e quais os livros que li:
1) Lê um livro que inclua desigualdades dos direitos humanos
Comecei a ler The Secret Life of Bees, de Sue Monk Kidd, mas não terminei :/
2) Lê um livro que inclua um exemplo do impacto do ser humano na natureza
Comecei a ler Mundo Selvagem, de Steven Gould, mas ainda não terminei. Estou neste momento na página 60 e está a ser uma leitura agradável.
3) Lê um livro sobre alguém que mudou/revolucionou a maneira de pensar do mundo
Li Eu, Malala, de Malala Yousafzai. Gostei bastante e dei-lhe 4⭐
4) Lê um livro sobre uma personagem que tem algum tipo de transtorno psicológico/necessidades educativas especiais
Li Olha-me nos Olhos, John Elder Robinson. Apesar de achar a história importante, não gostei da forma como o livro estava escrito. Dei-lhe 2⭐

A #carnavalathon também tinha 4 desafios e consegui cumpri-los a todos 😃
1) Lê um livro cuja ação se passe no país de origem do teu nome.
O meu nome é Bárbara e tem origem grega. Um dos livros que já tinha na minha estante há um ano era A Ilha, de Victoria Hislop. Adorei este livro, a história, as personagens, as tradições gregas,... Dei-lhe 4,5⭐
2) Lê o livro Ratos e Homens, de John Steinbeck
Ainda bem que este era um dos desafios para esta maratona. Nunca tinha ouvido falar desta obra e fiquei deslumbrada. A escrita de Steinbeck é fabulosa, a história é maravilhosa e faz-nos refletir sobre vários assuntos. Adorei e foi a melhor leitura de fevereiro! Dei-lhe 5⭐
3)Escolhe um livro cujo tema (por qualquer motivo) te faça lembrar o Carnaval
À primeira vista não tinha nenhum livro que me fizesse lembrar o Carnaval, mas a Filipa deu algumas dicas e disse que podíamos escolher pela cor, pela capa, por ser uma crítica,... Enfim, vendo bem havia muitos livros que podiam ser incluídos neste desafio. Acabei por escolher Os Livros Que Devoraram o Meu Pai, de Afonso Cruz. Depois de ler Para Onde Vão os Guarda-Chuvas e ter adorado, resolvi ler mais uma obra do autor. Gostei, apesar de não me ter deslumbrado como o primeiro. Dei-lhe 4⭐
4) Desafio do Joker
Para este desafio tínhamos de escolher 5 livros que queríamos muito ler, pegar em 5 cartas sendo que uma devia ser o Joker, baralhá-las e colocar uma por cima de cada livro. O livro que tivesse o Joker era o livro que devíamos ler. A mim calhou-me Mary Poppins e foi um livro que me desiludiu um pouco. Para mim, a Mary Poppins é um ser mágico e que transmite alegria às crianças. No livro, Poppins é uma pessoa fria e tem uma forma estranha de mostrar às crianças que gosta delas. Enfim, dei-lhe 3⭐ e fiquei com vontade de rever o filme para confirmar a minha ideia.

E foram estas as leituras que realizei este mês. E o vosso mês, foi bom? 😊

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Livros lidos em 2016



As avaliações dos livros estão disponíveis na minha página do Goodreads: https://www.goodreads.com/thelifeofabookcatcher

quinta-feira, 30 de junho de 2016

#MLVERÃO2016 - Eu Dou-te o Sol [OPINIÃO]


Para a categoria 13 da Maratona Literária de Verão - ler um livro com a cor amarela ou laranja na capa - optei por Eu Dou-te o Sol. Este era um livro que já me despertava a curiosidade desde janeiro, altura em que criei o Instagram literário, porque só ouvia boas opiniões acerca dele e todos os dias o via em alguma foto. Há umas semanas fui à feira do livro em Aveiro, vi-o por lá e tive de o trazer.


Título: Eu Dou-te o Sol
Autor: Jandy Nelson
Editora: Editorial Presença
Edição: 2015
Páginas: 336
ISBN: 9789722355858
P.V.P.: 16,90€
A minha classificação: 4/5








Sinopse: "Jude e o seu irmão gémeo Noah são inseparáveis. Aos 13 anos, Noah é um jovem tímido e solitário que adora desenhar. Jude, pelo contrário, é extrovertida, tagarela e sociável. Três anos mais tarde, tudo se altera. Jude e Noah mal falam um com o outro. Um trágico acontecimento afetou os gémeos de forma dramática… Até que Jude conhece Guillermo Garcia na Escola das Artes, um escultor ousado e bem-parecido que vai ter um papel determinante na vida dos irmãos. O que os gémeos não sabem é que cada um deles conhece somente metade da história das suas vidas e, se conseguirem reaproximar-se, terão a oportunidade de reconstruir o seu mundo. Este livro fulgurante da aclamada e premiada autora, Jandy Nelson, deixará o leitor sem fôlego, com lágrimas nos olhos e um sorriso nos lábios… tudo ao mesmo tempo."


Foi um livro que não me cativou desde o início. Na verdade, estava a ficar bastante desiludida até passar as primeiras 100 páginas. Depois disso, comecei a gostar e a querer saber mais e mais.

Em Eu Dou-te o Sol conhecemos os gémeos Jude e Noah, que para além de irmãos são companheiros, amigos inseparáveis e a metade um do outro. Na verdade, são mais do que metade porque conseguem sentir o que o outro sente e pensar o que o outro pensa. Têm uma relação maravilhosa, mas que acaba por se degradar devido aos ciúmes e, mais tarde, devido a um acontecimento terrível. Os irmãos terão de vencer o orgulho e unirem-se para entender o passado. O livro é narrado no passado por Noah e no presente por Jude, o que nos dá a perspetiva das duas personagens.

Não foi nada do que estava à espera. Pensei que fosse uma história muito mais leve e de fácil leitura, mas não. Este livro aborda temas difíceis e profundos, como a morte, a homossexualidade, a mentira, o perdão, a inveja e o amor entre irmãos. Não tenho nenhum irmão gémeo, mas tenho um irmão pouco mais novo do qual sou muito próxima e pelo qual viraria o mundo se fosse preciso. Por isso esta história acabou por me marcar muito, porque muitas vezes conseguia sentir aquele amor entre irmãos que não se consegue explicar, apenas viver.

No início não estava a gostar de todas as referências relativas a pintores, a obras e a arte porque nunca foi um universo que me fascinasse. Acho maravilhoso o talento que algumas pessoas possuem para o desenho (e quem me dera ter um décimo de alguns talentos), mas nunca fui uma pessoa que gostasse de visitar galerias de arte ou que ficasse maravilhada por um quadro. Até ao momento, simplesmente não aconteceu. Por isso não conhecia nem percebia muitas das referências, o que me obrigou a fazer algumas pesquisas no Google durante a leitura do livro. Mas depois acabei por gostar bastante do esforço e dedicação dos irmãos pela arte e dei por mim a querer saber o que é que eles iam desenhar/esculpir a seguir.

Adorei o Guillermo Garcia e a relação que conseguiu estabelecer com a Jude e com o Oscar. E também gostei bastante de conhecer o quarto do Oscar. Apesar de ter embirrado com a presença da avó Sweetwine no princípio do livro, a verdade é que me diverti imenso com algumas passagens da Bíblia e houve outras que me tocaram e que me emocionaram. Afinal, como já disse, não tenho nenhum gémeo mas tenho um irmão de quem sou muito próxima.



Foi um livro que me tocou e que vou querer reler, sem dúvida.

#MLVERÃO2016 - O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares [OPINIÃO]



Título: O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares
Autor: Ransom Riggs
Editora: Edições Contraponto
Edição: 2012
Páginas: 344
ISBN: 9789896661281
P.V.P.: 17,70€
A minha classificação: 4/5








Sinopse: "Uma ilha misteriosa. Uma casa abandonada. Uma estranha coleção de fotografias peculiares. 

Uma terrível tragédia familiar leva Jacob, um jovem de dezasseis anos, a uma ilha remota na costa do País de Gales, onde vai encontrar as ruínas do lar para crianças peculiares, criado pela senhora Peregrine.

Ao explorar os quartos e corredores abandonados, apercebe-se de que as crianças do lar eram mais do que apenas peculiares; podiam também ser perigosas. É possível que tenham sido mantidas enclausuradas numa ilha quase deserta por um bom motivo. E, por incrível que pareça, podem ainda estar vivas...Um romance arrepiante, ilustrado com fantasmagóricas fotografias vintage, que fará as delícias de adultos, jovens e todos aqueles que apreciam o suspense."



Confesso que comprei este livro pela capa e também porque toda a gente andava a falar nele. Pensei que ia ser uma história de terror, com crianças-fantasmas a atormentar alguém. Mas não, não é nada disso.



Este livro faz-nos entrar num universo fantástico (ou devo dizer peculiar?), através dos olhos de um rapaz de 16 anos que perdeu recentemente o seu grande herói: o avô. Desde sempre que Jacob se habituou a ouvir o avô falar sobre a sua infância passada num orfanato que se situava numa pequena ilha no País de Gales. Quando era pequeno, Jacob sempre achou fantásticas as histórias das crianças que viviam com o seu avô , mas à medida que cresce acaba por pensar que tudo não pensava de uma invenção do idoso. Mas será mesmo assim? Disposto a desvendar a morte do avô e seguindo as suas últimas palavras, Jacob viaja com o pai para a tal ilha, em busca do orfanato da Senhora Peregrine. Mas o que ele não esperava era sentir-se em casa num mundo que lhe é tão estranho.



Não sei bem do que estava à espera quando comecei a ler esta história, mas conseguiu surpreender-me de alguma maneira. Gostei da escrita do autor e da forma como nos descreveu o ambiente, a ilha e o orfanato. Sem muitos detalhes, mas os suficientes para criarmos uma ideia. Sem dúvida que o meu capítulo preferido é aquele em que Jacob conhece todas as crianças. E por alguma razão que não sei bem explicar, deixei-me enternecer pela Olive e por toda a leveza ligada a esta personagem. E nem vou falar das imagens maravilhosas que surgem pelo meio do livro. Adorei!



Tal como na história nem tudo é o que parece, também este livro revelou ser algo que à primeira vista não parecia ser. Gostei bastante e espero ler o próximo muito em breve.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

[OPINIÃO] - Viver Depois de Ti


Título: Viver Depois de Ti
Autor: Jojo Moyes
1ª Edição: 2013
Editora: Porto Editora
Edição: 2016
Páginas: 424
ISBN: 9789720045775
P.V.P.: 17,70€
A minha classificação: 5/5



Sinopse: "Louisa Clark é uma jovem com uma vida banal - um namorado estável, trabalhador e uma família unida - que nunca saiu da aldeia onde sempre viveu. Quando fica desempregada, vê-se obrigada a aceitar um emprego em casa de Will Traynor, que vive preso a uma cadeira de rodas, depois de um acidente. Ele sempre tinha vivido de um modo trepidante - grandes negócios, desportos radicais, viajante incansável - agora tudo isso ficou para trás. 


Will é mordaz, temperamental e autoritário, mas Lou recusa tratá-lo com complacência e em breve a felicidade e o bem-estar dele tornam-se muito mais importantes do que ela esperaria. No entanto, quando Lou descobre que Will tem planos inconfessáveis para a sua vida, ela luta para lhe mostrar que ainda assim vale a pena viver. 

Em Viver depois de ti, Jojo Moyes aborda um tema difícil e controverso, com sensibilidade, obrigando-nos a refletir sobre o direito à liberdade de escolha e as suas consequências."




Bem, que livro!! Em Viver Depois de Ti conhecemos Louisa Clark, uma jovem que vive com os pais, o avô, a irmã e o sobrinho e cuja família vive com dificuldades financeiras. Numa das entrevistas no Centro de Emprego, é-lhe dito que estão à procura de alguém que cuide de um tetraplégico numa casa não muito longe da sua. O ordenado é muito bom e assim Louisa poderá ajudar a família, por isso acaba por aceitar. Mas nada a prepara para o que a encontra em casa dos Traynor. O tetraplégico de quem vai cuidar não é nenhum idoso, não é alguém que tem idade para ser seu pai, mas sim um rapaz na casa dos 30 anos. Will é orgulhoso, teimoso e bastante temperamental, o que dificulta a vida de Louisa. No entanto, apesar da diferença de feitios, acabam por criar uma relação de confiança e de amizade que enternece qualquer um. E apesar de ser Will quem se encontra preso a uma cadeira de rodas, pode ser ele a ensinar Louisa a viver.



Confesso que estive a todo o momento à espera de romper em lágrimas por tudo aquilo que já tinha ouvido falar sobre este livro. Mais do que lágrimas, muitas lágrimas, este livro fez-me pensar muito sobre a importância e a fragilidade da vida humana, sobre a minha opinião relativa ao tema que é abordado no livro e sobre os juízos de valor que fazemos das pessoas sem as conhecermos.

Com este livro comecei a pensar muito mais na forma como vemos os outros. É claro que eu já o fazia. Desde pequena que tenho o cuidado de não julgar os outros sem conhecer a sua história e nunca gostei de olhares de pena. Todas as pessoas têm as suas fraquezas e as suas forças, e as pessoas portadoras de deficiência não são diferentes. E é claro que todos sabemos como deve ser difícil viver numa cadeira de rodas e dependente de outros para o resto da vida. Ou pelo menos eu pensava que sabia... Mas este livro, a vida do Will, fez com que tivesse uma visão ainda mais profunda sobre as dificuldades sentidas por um tetraplégico e um vislumbre dos seus pensamentos. Eu sei que todas as pessoas têm pensamentos diferentes e formas diferentes de lidar com as adversidades, mas é claro que há ideias e sentimentos comuns. Coisas que se calhar nem nos passam pela cabeça.

Fiquei completamente rendida ao Will, ao seu humor, à sua força, à sua fraqueza, ao seu coração. Fiquei rendida ao seu sorriso mesmo sem nunca o ter visto (não, nem sequer vi o trailer do filme antes de ler o livro). Coloquei-me várias vezes no papel da Louisa e em certas alturas, mesmo quando não estava a ler, transportava comigo o peso que ela própria sentia. Foi um livro encantador e, ao mesmo tempo, sufocante. Diverti-me também bastante com o Nathan e com o pai da Louisa e fiquei com o coração apertadinho na corrida de cavalos e aquando da decisão do Will. E depois houve tantos momentos mágicos, como o aniversário da Louisa e outros tantos que não quero estar aqui a revelar. Leiam este livro! A sério, leiam mesmo porque é lindo!!



Podia estar uma eternidade a falar sobre este livro e sobre tudo aquilo que ele aborda, mas não quero estar para aqui com spoilers. Mas quem já o tiver lido e quiser falar comigo sobre ele, está à vontade para o fazer pelo mail ou pelo Instagram :)

E para melhorar ainda mais (espero eu!) a experiência de quem já leu este livro maravilhoso, no dia 11 de agosto deste ano vai estrear o filme em Portugal :D

Aqui está o trailer do filme:


[OPINIÃO] - Crescendo


Título: Crescendo
Autor: Becca Fitzpatrick
Editora: Porto Editora
Edição: 2010
Páginas: 336
ISBN: 9789720043092
P.V.P.: 16,60€
A minha classificação: 3,5/5








Sinopse:
"Depois do best-seller hush, hush

A vida de Nora Grey continua longe de ser perfeita. Sobreviver a um ataque que podia ter-lhe custado a vida não foi fácil, mas tudo se resolveu, graças ao seu anjo da guarda ¿ uma criatura misteriosa, sedutora e bela.
Mas Patch tem sido tudo menos angelical. Está mais distante do que nunca e parece estar a passar demasiado tempo com a arqui-inimiga de Nora, Marcie Millar. E, como se isso não bastasse, Nora é assombrada por recordações do seu pai assassinado, começando a pensar que as intrigas dos anjos poderão estar relacionadas com a morte dele.
Desesperada por desvendar os estranhos acontecimentos do seu passado, Nora expõe-se ao perigo, na esperança de encontrar algumas respostas.
Mas todos sabemos que há perguntas que nunca devem ser feitas..."



Neste livro a história leva um rumo completamente diferentes. Se no primeiro livro a Nora e o Patch não se largavam, neste praticamente não estão juntos. Devido a "algo" (não quero contar muito para não fazer asneiras) o Patch afasta-se da Nora e aproxima-se da Marcie Millar, o que deixa Nora muito confusa e ainda com mais ódio pela Marcie.
Entretanto, um amigo de infância da Nora, o Scott, está de volta à cidade. O rapaz parece ter alguns segredos e também ter ar de ser perigoso. Mas como Nora não consegue manter-se afastada dos perigos, começa a passar algum tempo na companhia do Scott e a descobrir o porquê do rapaz ser tão misterioso.
Ao mesmo tempo que tudo isto acontece na vida da jovem, o pai dela resolve fazer-lhe algumas visitas-surpresa, o que a deixa em estado de choque e com uma réstia de esperança. É que o pai dela supostamente foi assassinado há uns anos atrás e devia estar morto. Por isso, o que será que se passa?

Confesso que não gostei tanto deste livro como de Hush, Hush. Apesar de todos os momentos em que a Nora e o Patch estão juntos serem cheios de química e de quase sentirmos a paixão que sentem um pelo outro a emanar das páginas do livro, não gostei do "sumiço" do Patch e achei que a história perdeu um pouco do seu encanto devido ao afastamento das personagens. Os momentos de suspense também não me deixaram tão extasiada como os do livro anterior, a não ser uma ou outra passagem da Nora com o pai.

Apesar disso, gostei de assistir ao crescimento da Nora e perceber que está mais madura, apesar de ainda ter algumas atitudes de criança. Mas acho que a adolescência é mesmo isso, não é? Neste livro já simpatizei mais com a Vee, apesar de continuar a achar que não é uma verdadeira amiga em alguns acontecimentos. No entanto, acho-lhe imensa piada e gostei de a ver apaixonada.

A autora consegue cativar-nos a partir da sua escrita leve e com bastante humor. Fico à espera de ver o que acontece no próximo livro.

terça-feira, 28 de junho de 2016

[OPINIÃO] - Hush, Hush


Título: Hush, Hush
Autor: Becca Fitzpatrick
1.ª Edição: 2009
Editora: Porto Editora
Edição: 2015
Páginas: 320
ISBN: 9789720045492
P.V.P.: 16,60€
A minha classificação: 4,5/5







Sinopse:
"UM JURAMENTO SAGRADO

UM ANJO CAÍDO
UM AMOR PROIBIDO



Apaixonar-se não fazia parte dos planos de Nora Grey. Nunca se sentira atraída por nenhum dos rapazes da sua escola, apesar da insistência de Vee, a sua melhor amiga.

Então, aparece Patch. Com um sorriso fácil e uns olhos que mais parecem trespassar-lhe a alma, Patch seduz Nora, deixando-a completamente indefesa.
Mas, após uma série de encontros assustadores com Patch, que parece estar sempre onde ela está, Nora não consegue decidir se há de cair-lhe nos braços ou fugir sem deixar rasto.
Em busca de respostas para o momento mais confuso da sua vida, Nora dá consigo no centro de uma antiga batalha entre imortais. E quando é chegada a altura de escolher um rumo, a opção errada poderá custar-lhe a vida."



Este livro conta-nos a história de Nora Grey, uma jovem de dezasseis anos (acho) que, numa aula de Biologia se vê obrigada a ser o par de Patch, um rapaz muito misterioso, sobre o qual nada sabe a não ser que tem uma fixação por roupa preta e que é bastante giro. A partir do dia em que se conhecem, a vida de Nora muda drasticamente. Começa a sentir-se perseguida, presencia ocorrências estranhas e não se sente segura em lado nenhum. A não ser com Patch. Patch envolve-a num misto de medo, segurança e atração e quando Nora pensa que a sua vida não pode ficar ainda mais "virada do avesso", descobre que Patch não é um rapaz qualquer, mas sim um anjo caído. A partir daqui a jovem vê-se envolvida num mundo sobrenatural, do qual não será fácil sair.

Este foi um livro que me cativou desde a primeira até à última página. A história até pode parecer mais do mesmo: a rapariga mais normal do mundo conhece um rapaz misterioso, sente-se atraída por ele e acaba por descobrir que ele é um ser sobrenatural, mais concretamente um anjo caído. Mas esta história acaba por sair dos "limites" do romance e envolve muito mistério, o que nos deixa colados às palavras da autora à procura do que vai acontecer a seguir. A escrita de Becca Fitzpatrick é bastante simples e fluída, os capítulos são curtinhos e os momentos de suspense são muito bons. A autora conseguiu fazer com que me sentisse desconfortável nos momentos em que a personagem principal também se sentia.

Gostei bastante do enredo e das personagens. Aquela de que menos gostei foi da Vee porque não me pareceu ser assim tão boa amiga, mas sim uma daquelas pessoas a quem damos tudo e acabam por não nos retribuir da maneira mais apropriada. Mas claro que lhe achei imensa piada em várias partes do livro, por isso a personagem não me irritou muito.

É um livro que recomendo a todas as pessoas que gostam de romances e de fantasia.

[OPINIÃO] - Vamos Aquecer o Sol


Título: Vamos Aquecer o Sol
Autor: José Mauro de Vasconcelos
1.ª Edição: 1974
Editora: Booksmile
Edição: 2015
Páginas: 320
ISBN: 9789898491879
P.V.P.: 13,99€
A minha classificação: 3,5/5



Sinopse: "Esta é a continuação do muito aclamado O Meu Pé de Laranja Lima, a obra autobiográfica de José Mauro de Vasconcelos. Neste livro vamos reencontrar Zezé, o menino com um coração do tamanho do mundo, e que, por isso, sofre demais. Agora com dez anos, ele vive com os pais adotivos em Natal, no nordeste brasileiro.


Zezé estuda num colégio católico mas continua a viver no seu mundo de fantasia, onde tem por companhia um sapo imaginário a que chama Adão e com o qual dialoga e desabafa. Nos seus sonhos, Zezé vai criar a imagem ideal de um pai, que lhe surge na figura de um famoso ator de cinema. É pelo seu pai imaginário que Zezé se sentirá amado como um filho de verdade, como nunca antes se sentira.

Uma história de amadurecimento, da passagem da infância para a adolescência, contada com a mais pura sensibilidade por José Mauro de Vasconcelos, vencedor do Prémio Jabuti de Romance, o mais importante prémio literário brasileiro."




Eu, que tanto amo O Meu Pé de Laranja Lima, não sabia que existia a continuação da história. É claro que assim que soube da existência deste livro tive de o comprar... No entanto, a história não me cativou tanto como o primeiro livro, o que me deixou desiludida. Acho que estava com as expectativas muito elevadas e a continuação não foi tão boa como esperava, Mas é claro que foi uma leitura que valeu a pena e da qual gostei.

Em Vamos Aquecer o Sol, encontramos Zezé com dez anos, a viver com uma família adoptiva, a ter aulas de piano e a frequentar um colégio católico. Logo no início do livro assistimos ao princípio da amizade entre Zezé e Adão, o sapo que vive no lugar do coração do menino e que se torna o seu maior confidente e um grande amigo.

Zezé continua a ser um menino carente, que se sente sozinho e que recorre à imaginação para viver grandes aventuras e para ter quem cuide dele. Ele sente que a sua família adoptiva não gosta dele como se fosse um filho "verdadeiro", impõem-lhe demasiadas regras e obrigam-no a ter aulas de piano, das quais está farto. O que ele quer é sentir-se livre, nadar e subir às árvores como fazia na sua vida anterior. Um dia Zezé vai ao cinema e assiste a um filme protagonizado por Maurice, um ator francês por quem o menino fica fascinado e que, por isso, o adopta como pai. E é com este pai imaginário que Zezé se vai sentir realmente amado como um filho se deve sentir.



Apesar de não ter ficado deslumbrada com esta história não posso dizer que não tenha gostado. O Zezé conquistou o meu coração e neste livro, apesar de não ser a criança que só me apetece levar para casa, continua a mostrar ter um coração do tamanho do mundo, o que enternece qualquer pessoa. Mas em O Meu Pé de Laranja Lima encontramos muitas mais aventuras, asneiras e demonstrações de amor do Zezé, o que cativa mais o leitor. Em Vamos Aquecer o Sol, encontramos um Zezé mais maduro, que lida de forma diferente com as injustiças que o perseguem e que assume os seus erros. Uma vez que as personagens com quem ele cria uma maior empatia são imaginárias, não consegui gostar tanto deste livro como do anterior, onde existia a amizade maravilhosa da criança com o Portuga. No entanto, gostei da relação do Zezé com Fayolle e também com Dadada.

Este livro apresenta-nos o crescimento do Zezé, desde a infância até à adolescência. Dá-nos a conhecer o seu caráter corajoso e decidido, o seu espírito livre e o seu primeiro amor. É um livro que nos relembra a importância do amor na vida de qualquer pessoa, mas sobretudo na de uma criança.

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