terça-feira, 23 de janeiro de 2018

[OPINIÃO] - Noite

Título: Noite
Autor: Elie Wiesel
Editora: Texto Editores
Edição: Junho de 2012
ISBN: 9789724745244
Páginas: 136
A minha classificação: 5/5★

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para apoio a projetos relacionados com a História Universal no Ensino Secundário.


SINOPSE
Nascido no seio de uma família judia na Roménia, Elie Wiesel era adolescente quando, juntamente com a família, foi empurrado para um vagão de carga e transportado, primeiro para o campo de extermínio, Auschwitz, e, depois, para Buchenwald. Este é o aterrador e íntimo relato do autor sobre os horrores que passou, a morte dos pais e da irmã de apenas oito anos, e da perda da inocência a mãos bárbaras. Descrevendo com grande eloquência o assassínio de um povo, do ponto de vista de um sobrevivente, Noite faz parte dos mais pessoais e comovedores relatos sobre o Holocausto, e oferece uma perspectiva rara ao lado mais negro da natureza humana.

OPINIÃO
Comecei a interessar-me por livros sobre a Segunda Guerra Mundial no ano passado, graças à Dora e à Sara. Antes disso só tinha lido O Diário de Anne Frank e, até hoje, considero que ainda li muito pouco sobre o assunto. Este é um tema que nunca se esgota; há sempre heróis para serem descobertos, horrores para serem relatados e vidas para serem choradas.
Imagino que seja difícil relatar tudo o que aconteceu, pois todas as palavras devem parecer insuficientes, mas Elie Wiesel (Prémio Nobel da Paz em 1986) conseguiu expressar toda a barbaridade a que assistiu e de que foi vítima em poucas páginas. É incrível como um livro tão curto nos consegue transmitir tanto.

Confesso que, ao início, a leitura não me estava a cativar tanto como queria. Penso que o principal motivo foi a questão religiosa, muito presente ao longo de todo o livro. No entanto, com o desenrolar da narrativa, percebemos que este é realmente um aspecto fulcral na vida do autor e achei incrível a forma como a perda da fé vai sendo relatada. Esse foi um dos pontos que tornou este livro diferente de todos os outros que já li sobre o tema.
Aquilo que, a meu ver, mais diferencia este livro em relação a outros é o facto de se encontrar escrito na primeira pessoa, não havendo qualquer tipo de ficção, mas sim um testemunho real, duro e implacável, de quem viveu aquele enorme pesadelo. É impressionante a forma como o autor nos fala sobre a morte, a miséria e o medo de uma forma tão poética. Ao longo do livro senti-me como se estivesse a ser embalada nas palavras de Wiesel mas, em vez de me acalmar, senti-me cada vez mais agitada e desgostosa.


Esta leitura foi mesmo um crescendo de emoções. Em grande parte, o que contribuiu para isso, foi o relato da relação do autor com o seu pai, o seu grande companheiro durante o tempo em cativeiro. A companhia um do outro foi o que lhes deu forças para continuarem e a preocupação que tinham um com o outro era enternecedora. É horrível percebermos que, apesar de todo o amor que Wiesel sentia pelo pai, houve momentos em que os campos de concentração quase lhe tiraram a humanidade. E foi mesmo esta relação entre pai e filho que mais me comoveu ao longo de todo o livro e também aquilo que me deixou com um grande nó no estômago.
É um livro incrível, que não deve deixar de ser lido.


Nota: Este é o primeiro livro de uma trilogia. Os outros dois livros são Amanhecer e Dia.

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