terça-feira, 29 de maio de 2018

[OPINIÃO] - Mrs. Dalloway












Título: Mrs. Dalloway
Autor: Virginia Woolf
Editora: Clube do Autor
Edição: Agosto de 2011
ISBN: 9789898452436
Páginas: 208
A minha classificação: 3/5★

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SINOPSE:

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para a Formação de Adultos, como sugestão de leitura.

A I Guerra terminou, o Verão apodera-se de Londres e Clarissa prepara-se para dar mais uma das suas festas. Mas o aparecimento de Peter Walsh, o seu primeiro amor, vai atiçar o passado, trazendo-lhe à memória os sonhos de juventude. E de súbito, Clarissa Dalloway toma consciência da força da vida em seu redor.
A singularidade da obra vem dessa espécie de sósia de Mrs.Dalloway, que é Septimus Warren Smith, um homem prestes a enlouquecer com o trauma da guerra e com quem Clarissa parece partilhar uma mesma consciência. Septimus é contraponto de Clarissa: uma chaga aberta, a sua dor exposta ao mundo. Clarissa, por outro lado, esconde o seu silêncio, cobrindo-o com festas sociais.
Virginia Woolf expõe neste romance diferentes modos sentir, evocando, mais que o espírito do tempo, o espírito da própria vida no olhar de cada personagem.


OPINIÃO:
Apesar de ter apenas 200 páginas, este foi um livro que demorei muito tempo a ler e que me obrigou a algum esforço para conseguir acompanhar a narrativa.

Acompanhamos Clarissa Dalloway nos preparativos para uma festa que dará em sua casa, à noite. Mrs. Dalloway pertence à alta sociedade de Londres, por isso é importante que todos os detalhes estejam perfeitos para que a festa seja um sucesso.
Conhecemos também Peter Walsh, que regressa a Londres depois de alguns anos passados no estrangeiro e que traz consigo uma forte história. Peter é um velho amigo e também um velho amor de Clarissa e o reencontro leva-a a reviver o passado com uma certa melancolia e deixa-a algo perturbada.
Outra das personagens principais é Septimus Smith, que foi soldado na Primeira Guerra Mundial e sofre de stress pós-traumático. Septimus é casado e a sua mulher leva-o a um psicólogo para o tentar ajudar, uma vez que o homem pensa várias vezes em suicídio e tem alucinações com alguns dos seus camaradas que já faleceram. Dizem que há algumas semelhanças entre esta personagem e a própria Virginia Woolf, que sofria de depressão e transtorno bipolar.
Para além destas personagens vamos conhecendo outras, de forma menos profunda, como uma amiga de há muitos anos de Clarissa e Peter, o marido e a filha de Clarissa, a amiga da filha que lhe transmite uma certa irritação, entre outros.

As passagens de uma personagem para outra não são perceptíveis. Aliás, fiquei várias vezes confusa a pensar que estava a seguir o pensamento de determinada personagem e, afinal, já era outra. Isto dificultou-me bastante a leitura.
Este foi também o primeiro livro que li sob a forma de fluxo de consciência. Todo o livro é passado como se estivéssemos dentro da cabeça das personagens, a acompanhar todos os seus pensamentos. Apesar de ter achado esta técnica interessante, os pensamento demasiado profundos ou filosóficos das personagens cansaram-me e sentia que duas páginas desses pensamentos demoravam uma eternidade e ser lidas. Para além disso, não consegui criar simpatia por nenhuma das personagens.
No entanto, gostei muito de conhecer a escrita única de Virginia Woolf. É realmente diferente de tudo o que li até agora. Toda a acção se desenrola durante um dia e a forma como a autora nos embala no ritmo do dia, fazendo-nos sentir a passagem das horas através das badaladas do Big Ben, é fantástica!
Também achei muito interessante e foi, possivelmente, aquilo de que mais gostei neste livro, aceder às recordações do passado de Clarissa, Peter e da sua amiga Sally. Estas foram as páginas que me deram mesmo vontade de ler.
Tenho pena de não ter gostado mais do livro, pois tinha grandes expectativas, mas irei ler mais obras da autora.


Sobre a autora:

Virginia Woolf nasceu em Londres a 25 de janeiro de 1882, filha de Sir Leslie Stephen, escritor e historiador ilustre da Inglaterra vitoriana. Desde cedo ligada a grupos de intelectuais, casou em 1912 com Leonard Woolf e com ele fundou a editora Hogarth Press, responsável pela revelação de autores como Katherine Mansfield e T. S. Eliot e pela publicação das suas próprias obras. Reconhecida como uma das mais proeminentes figuras do modernismo britânico, destacam-se entre os seus trabalhos os romances Mrs Dalloway (1925), Orlando (1928) e As Ondas (1931), assim como o ensaio Um Quarto que Seja Seu (1929). Após sucessivas crises depressivas e não suportando o isolamento provocado pelo agravar da Segunda Guerra Mundial, suicida-se a 28 de março de 1941, em Lewes.

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